Parte 9
ESBOÇO DE ABORDAGEM TERAPÊUTICA
DO PORTADOR DE PERSONALIDADE BORDERLINE
Boa parte dos clientes que antes
diagnosticávamos como psiconeuróticos, ao cabo de algum tempo de psicoterapia,
acabavam-se revelando portadores de personalidade de estruturação borderline.
O próprio “Homem dos Lobos” é prova
disso: uma personalidade borderline típica.
Treinados para praticar psicanálise
pura, standard, ortodoxa – que
se presta para tratar a nervosia e
o mal-estar do cidadão comum -, nós, psicanalistas, vemos fracassar uma
abordagem estrita no trato desses pacientes. Temos então de abandonar as
douradas e queridas certezas de uma prática que funciona bem com histéricos
ricos, fóbicos ligeiros e obsessivos operosos. E, naturalmente, com todos
aqueles sujeitos cuja patologia é a normalidade.
O psicanalista é instado a descer à
prática daquilo que ele mais detesta: a psicoterapia. Tratar. Deixar de ser
psicanalista – profissão-função dotada de uma pretensa especificidade - e
tornar-se um terapeuta, um arremedo de médico. Uma mistura de charlatão,
adivinho, místico, xamã, pai-de-santo e professor – suprema afronta! Tornar-se
um mentor. Ou um mestre – que horror! Alguém que, usando de toda essa alquimia, não perca o TAO e,
se possível, seja
ZEN. Na maioria
das vezes, é exigir demais do – pobre – especialista. Ele se torna furioso e
lança seu mais poderoso anátema:
“Isso não é freudiano. Isso não é
psicanálise.”
Alguns, como nós, mais cépticos quanto
a excelências autoproclamadas, preferem orientar-se pela clínica, suportar o
vitupério dos puristas e partir para a prática. Achamos que, aquém do Édipo, há
vida.
Os indivíduos portadores de personalidade bordeline, como os brutos, também
sofrem. Demandam a clínica na esperança de algum alívio, de uma palavra boa,
quem sabe se de uma iluminação, de dois ou três gramas de solidariedade, um
grão de sal do saber, umas gotas de alegria e uma pílula benfazeja da
tecnologia que mitiguem algum sintoma mais incômodo. Lembramo-nos de que a
clínica – essa nobre atividade que exerce o homem, que é cuidar de seu
semelhante – já existia antes de Freud e que, certamente, abarca muitas coisas
mais além daquilo que apregoa o falso brilhante do reducionismo lacanista. À
clínica, pois.
Uma surpresa que a clínica
psicanalítica nos proporciona é a de que uma boa parte dos pacientes por nós
aceitos para tratamento analítico, a partir de nosso diagnóstico de serem eles
portadores de uma psiconeurose, ao cabo de alguns meses – ou anos – de
trabalho, revelam-se “chapados/absolutos/completos” possuidores de
personalidade borderline.
O paciente bordeline traze às sessões de terapia um amontoado de temas, um
contencioso interminável de situações pendentes, uma constelação de afetos,
projetos pessoais, decisões tomadas e logo abandonadas, enfim, uma verdadeira
“geleca” – esse brinquedo infantil, constituído de uma massa amorfa que toma
qualquer forma com que a modelemos, para perdê-la, a seguir, com outra
manipulação.
A tarefa terapêutica visa a empenhar-se
em tratar um tema de cada vez, com a esperança de que esse tema adquira alguma
coalizão, que seja suficiente para servir de suporte – ou de acidente
geográfico psíquico – para novos desenvolvimentos. É assim que, de tema em
tema, de situação em situação, de item em item, razoavelmente equacionados,
estabelece-se um arquipélago de relações de objeto que dão crescente
consistência ao psiquismo do sujeito.
Por não dispor de territórios psíquicos
devolutos, mas por ter uma psique como massa coloidal amorfa e informe, o
fronteiriço não desenvolve o dispositivo de corte (castração), que delimita
partes, áreas, setores, barreiras, limites e possibilidades. Aquilo que é
amorfo não tem partes nem coisas: é sempre a própria coisa. Indiferenciada.
Polipotente, mas ineficaz. Essa perene indiferenciação parece ser a maldição
que acomete tipicamente a constelação borderline
de personalidade.
Decorre desse fato a enorme dificuldade
de o paciente borderline articular os
elementos contraditórios que se encaixam no conflito. Maiores dificuldades,
ainda, apresenta em conseguir sustentar o conflito ao longo do tempo. Em função
disso, retorna aos estágios prévios de coexistência alternada de estados
egóicos díspares. Também provém dessa contingência aquela apremiante sensação
contratransferencial de que ele vive em contínuos impasses cruciais, sempre em
cima do fio da navalha, à beira do total descalabro psíquico. Tal situação induz, no terapeuta, uma sensação
apocalíptica de que está vivendo situações extremas, derradeiras, que – quase –
nunca descambam para o completo desastre, mas que se resolvem por meio de
soluções folhetinescas, não ortodoxas, que, por sua vez, desembocam em novo
impasse crucial, sucessivamente. Dessa maneira, faz o terapeuta se sentir um
espectador impotente diante desse incessante desenrolar dramático.
Quem não convive com o conflito nem o
sustenta não ascende à posição depressiva – aquela em que o sujeito se dá conta
da ambivalência do objeto em relação a ele mesmo: o bom objeto é o mesmo objeto
mau e vice-versa. O indivíduo reconhece a própria maldade em relação ao objeto,
sente as lesões que lhe infligiu, experimenta a vastidão de destituições
acarretadas ao objeto, e, com isso, experiencia anseio doloroso – pining. A partir daí, desenvolve a
culpa-sinal, base da instauração de um sofisticado dispositivo intrapsíquico
equivalente à inibição intra-específica, que os etologistas descobriram no
comportamento de combate dos animais. A vivência de culpa decorrente do ataque
ao bom objeto necessitado é o mais eficaz mecanismo psíquico de que dispomos
para deter nossa avassaladora destrutividade.
Sem experimentar o anseio doloroso (pining), após tentar destruir o objeto,
sem consegui-lo, não se pode reconhecer o outro em sua diferença e, em
decorrência disso, passar a se interessar por ele naquilo que possui de
individualizado, específico, idiossincrásico e benévolo. É em conseqüência
disso que verificamos, clinicamente, que o paciente borderline raramente se interessa pelo objeto a ponto de
estabelecer com ele uma enriquecedora relação intercambiante. Na maioria das
vezes, suas relações ficam aquém da troca, da permuta, estribadas numa via de
mão única – empobrecida e empobrecedora -, interessando-se o paciente pelo
objeto apenas na medida em que dele pode extrair algo.
Por isso, o indivíduo borderline raramente entra em trabalho
de luto diante de suas perdas e de suas separações. Por via de conseqüência,
desenvolve pequena capacidade de reparação e de restituição. Dessa forma,
adquire pouca habilidade em assumir a responsabilidade pelos resultados de sua
agressividade mal modulada e inadequada. Levando tudo isso em conta, no
tratamento desses pacientes, podemos esperar uma baixa capacidade de elaboração
de sua conflitiva psíquica. Diferentemente do que percebemos no neurótico, cuja
problemática como que patina no atoleiro da compulsão à repetição, no paciente borderline, o que vemos é o sucessivo
desenrolar de duas dúzias de enredos que se alternam caleidoscopicamente,
apesar de nossos melhores esforços terapêuticos.
Esse fluente material, em jorros
sucessivos, claro demais, tocando todos os níveis e perpassando todos os registros – inconsciente, pré-consciente,
consciente; imaginário, simbólico, realidade; id, ego, superego; processo
primário, processo secundário; razão, juízo, percepção, atuação, inibição,
expressão, criação, pulsão, desejo, interdição, castração; desrecalque e outros
-, mantendo inusitadas e curiosas correlações entre si, costuma, inicialmente,
maravilhar o psicanalista. O inconsciente que aflora tão vivaz, o experienciar
sentido, fazendo-se junto ao mais sagaz insight,
seguido de deliberações aparentemente bastante adequadas, tudo isso exuberante,
de acordo com as melhores formulações – crenças – teóricas, fascina o analista.
Não é raro que ocorra um período de lua-de-mel na relação terapêutica, em que o
analista passa a interpretar a e correlacionar, argutamente, as ligações entre
os componentes do material trazido pelo paciente. Ao cabo de meses, ou anos, de
um tratamento aparentemente bem feito, esgotado todo o seu melhor arsenal
terapêutico, ele se espanta ao descobrir que o cliente continua intocado,
fazendo a ronda pelos mesmos circuitos – que deveriam ter sido mudados pelas
revelações, pelos insights, pelas
interpretações argutas formuladas e pelas mudanças de atitude. O terapeuta se
decepciona, portanto, ao verificar que o paciente traz, de novo, o mesmo
material do início, inalterado.
Essa é uma armadilha comum no trato do
paciente borderline, que acarreta,
então, ao analista, uma contratransferência negativa súbita, às vezes brutal,
carregada de rancor, de desmoralização e de desesperança, que invade e tinge a
prossecução do processo terapêutico. Esse é o momento em que muitos analistas
jogam a toalha no ringue e se safam, narcisicamente, com um desabafo brilhante:
“Ele é inanalisável!” Grande descoberta: era-o desde o início, desde a primeira
entrevista. O paciente borderline não
precisa de psicanálise, mas de uma outra coisa dela derivada e com ela
parecida, ainda inominada...
Outro fator a se exigir da
contratransferência é a tendência à excessiva dependência que demandam, na
transferência, esses pacientes, contraposta a uma atitude de desprezo e
desvalorização que mantêm diante da ajuda recebida.
Dotado de um ego débil, escassamente
desenvolvido, com pouco cacife operacional diante das titânicas forças e
estruturas em jogo, o paciente borderline
tem pouca capacidade de acionar o mecanismo de repressão, tão importante e
eficaz para erigir cercas, barreiras e cavar sulcos ou canyons. Por via de conseqüência, o aparelho psíquico desses
clientes não oferece resistência diante do conteúdo, não tolerando reconhecer e
suportar o conflito, partindo logo para a atuação desbragada – no mais das
vezes, antieconômica. Isso exige que o analista funcione como um continente que
limite e ordene os conteúdos candentes, que, de outra forma, “entornariam pelas
beiradas”, ou inundariam partes do aparelho psíquico, indiferenciando-o.
O paciente borderline, habitualmente, opera o tempo todo, em análise, dentro
de um contexto regressivo de baixo nível. Essa característica de transcurso
dentro do processo terapêutico é bastante pesada para o terapeuta. Não é raro
que, após interromper seu tratamento, esse paciente atravesse um período de
acalmia de suas queixas e atuações e entre numa etapa de vida com maior
organização, dando mais atenção às conseqüências de seus atos. Trata-se de uma
evolução terapêutica absolutamente paradoxal.
Uma eventualidade perturbadora, por ser
desmoralizante, é, pois, aquela que deriva da verificação de que, após anos de
trabalho terapêutico aparentemente bem conduzido, o cliente, subitamente,
apresenta-se com toda a sintomatologia e a mesma confusão de vida que o
trouxeram inicialmente à terapia. Tudo se reapresenta como se estivesse
intocado.
Ao assumir o tratamento de um indivíduo
portador de personalidade borderline,
o terapeuta deve estar cônscio de que há o risco de que anos de tratamento
criterioso, com duas, três ou quatro sessões semanais, podem não produzir
nenhum câmbio básico consistente.
No trato de clientes com estruturação
psíquica borderline, são tecnicamente
recomendáveis:
1.Um procedimento psicanalítico
modificado ou uma forma de psicoterapia especial expressiva.
2. Uma tolerância às manifestações
transferenciais candentes, maciças e aparentemente caóticas. O terapeuta
funciona estabelecendo um setting bem
enquadrado, criando um continente que recebe e acolhe as manifestações da
transferência positiva (Kernberg) ou mesmo da transferência fortemente
idealizada (Kohut), suportando a transferência negativa corrosiva e dando
sentido à transferência lateral atuada.
3. Uma interpretação, tão sistemática quanto tolerável, das
manobras e das atuações defensivas por meio das quais se expressa a
transferência negativa. A transferência negativa está baseada na agressividade
escassamente neutralizada e mal modulada de que esses clientes são portadores,
acrescida da convicção pessoal de possuírem violenta maldade absoluta. O trabalho de análise
sistemático da transferência negativa, explícita, latente ou encoberta, é
essencial para romper o círculo vicioso da projeção e da reintrojeção das
representações patológicas precoces de si mesmo e dos objetos, desgastando, aos
poucos, a pulsão agressiva hostil que as injeta.
4. O desempenho freqüente da função de assinalar aquilo que
é experienciado pelo paciente, correlacionando o sentido, a intenção e a
conseqüência daquilo que ele vive (a quê?), é um procedimento técnico
necessário.
O terapeuta pontua a típica oscilação
entre os momentos de projeção que o paciente borderline faz de uma representação de si mesmo e dos objetos.
Dirige sua atenção ao fato de que, diante da relação com o outro, esse paciente desfila uma seqüência de
egos-manequins, cuja função é perturbar o interlocutor e vestir sua nudez de recursos
operatórios relacionalmente válidos. O psiquiatra evidencia o fato de que a
excessiva necessidade de dependência, desesperada, exasperante, por vezes
pegajosa, é, na realidade, derivada de uma desconfiança rancorosa do outro e de
uma incapacidade de se entregar verdadeiramente a alguém.
O paciente borderline apresenta um falso tipo de insight, no qual aparenta perceber os estratos profundos da mente
com sua dinâmica inconsciente – exatamente aqueles a que o neurótico tão
dificultosamente tem acesso. Isso se explica pela precariedade das barreiras
alfandegárias na geografia entre suas
instâncias psíquicas – pouco diferenciadas –, por insuficiência de instauração
da máquina de corte a que chamamos castração.
A essa compreensão clara, que surge sem
esforço e sem sofrimento, não correspondem mudanças nos elementos em jogo no
balanço intrapsíquico nem se amplia a capacidade pessoal do sujeito de lidar
com suas incongruências. Na verdade, essa compreensão
interna que aparece sem revivência sentida não passa de uma manifestação do
funcionamento do modo processo primário do pensamento.
O tratamento do consulente borderline não visa a desenvolver uma
neurose de transferência nem a apontar tanto para a busca de material
inconsciente reprimido, como é clássico na custosa garimpagem analítica do
psiconeurótico, mas, bem ao contrário, objetiva conciliar e integrar aquilo que
permite algum tipo de apropinquamento entre elementos psíquicos radicalmente
díspares. É necessário estabelecer parâmetros – combinações prévias que fixem
limites, espaços e possibilidades de convívio -, para que a terapia possa
desenvolver-se positivamente. Tais parâmetros contêm e amortizam as atuações
intempestivas, que são a tônica da expressão psíquica desses pacientes.
Ao lado da análise sistemática da
transferência negativa e das defesas patológicas correlatas, o trabalho
terapêutico se concentra, de maneira especial, no trato com as asperezas e as
inconstâncias do contato do paciente com a realidade. Esse é o grande campo de
batalha, onde a maior parte do trabalho é feito. O terapeuta que pretende
tratar de um cliente borderline tem
de abdicar, de início, de operar no admirável conforto de uma técnica pura. Ele se desdobrará para conseguir
acompanhar as intermináveis mudanças que o paciente traz a cada sessão.
Centrado em si mesmo – e em algumas formulações teóricas e técnicas de sua
eleição -, terá que, flexivelmente, ir com o seu paciente até experiências
extremas. Maleável, adotará as várias posições e papéis que o manejo do caso
exige. O terapeuta do paciente borderline
não tem pejo de proibir, estimular, sugerir, refletir com ele, aconselhar,
cortar. Sobretudo, aprende a tolerar a vastidão de personagens adotados pelos
humanos, para tentar amenizar seu transcurso nesse vale de lágrimas. Será
compassivo, ao flagrar seu paciente -
canhestramente – tentando roubar no peso da vida. Preparar-se-á para não
esperar o ideal de quem não tem condições de chegar lá. E se terá tornado
humilde o bastante para aceitar cada qual segundo sua peculiaridade, seu limite
e sua idiossincrasia. O terapeuta do paciente borderline sabe que deve desprover-se do trabalho elaborado com
esquemas ideais – ah! Platão, que mal nos fizeste! -, que não passam de
imposições ideológicas previamente falidas.
A melhoria das condições operacionais
de vida, no contato diuturno com a realidade, é um dos objetivos da terapia do
fronteiriço. Ajudá-lo a entender parcelas crescentes do cliente borderline de seu funcionamento psíquico
é outra meta terapêutica.
Uma restrita percentagem desses
pacientes, com terapia, ascende ao
nível da problemática edipiana. Talvez sejam aqueles que apresentam melhor
prognóstico. Querer que todo portador de personalidade de estruturação borderline se edipianize em terapia,
vale dizer, se neurotize, é pretensão terapêutica por demais idealizada.
Aprendemos com eles que há outras formas de equacionamento e funcionamento
psíquico, que permitem uma existência diferente – nem pior nem melhor – além
daquela do bom-mocismo de Édipo.
Como todos os portadores de
personalidade borderline apresentam
patologia de caráter mais ou menos severa, decorrente da forte presença de
traços narcísicos prevalentes em sua personalidade, vamo-nos haver com desvios
de conduta, distúrbios sexuais, tendências à adicção, comportamentos de baixo
nível. Tudo isso misturado, mesclado, simultânea ou sucessivamente. Neles
encontramos nítidos componentes de estados esquizóides, convivendo com
manifestações tipicamente simbióticas ou gliscocáricas. Estão presentes
impulsividade com pegajosidade; rupturas e reconciliações, absolutamente
inconseqüentes; atitudes enfunadas, positivas, rapidamente dissolvidas por
qualquer acontecimento.
Esse coquetel que constitui a estrutura
borderline de personalidade exige do
terapeuta habilidade em manter relações objetais em situações frustrantes,
capacidade de tolerar agressões, baixa expectativa de êxito e muita
experiência - se possível, cultura – no
trato das coisas humanas. Só assim ele pode permanecer como uma figura de
razoável estabilidade, oferecendo-se como uma base de abastecimento, de apoio e
de referência ao mutável e caleidoscópico cliente. Parece pouco, mas vale. Se
vale!
A melhoria psíquica do cliente borderline se insinua mediante qualquer
uma das seguintes insurgências na clínica:
1. Passagem de comportamentos
narcísicos, autocentrados na inflada imagem de si mesmo, para relações
empáticas estabelecidas com o outro, o objeto ou o mundo.
2. Evolução dos traços de caráter
patológicos em níveis egoassintônicos, incômodos.
3. Ampliação da capacidade de convívio
intimizado com o objeto amado, eleito.
4. Insinuação da capacidade de desdobrar a função egóica em
uma parte observadora e em uma parte experimentadora e, a partir delas,
acopladas, a posteriori, da
possibilidade de acionar o aspecto
pontífice do ego, extraindo subsídios para escolher e direcionar mais
convenientemente seu destino.
5. Desenvolvimento da capacidade de auto-reconhecimento, de
introspecção e de autocontenção interna.
6. Indícios de que o cliente passa a
funcionar, psiquicamente, sob a égide da castração, fato que, ao fim e ao cabo,
economiza energia, na medida em que exerce sinalização restritiva a tempo de
evitar o dispêndio dissoluto da atuação, mediante o simples acionamento de um
sinal de angústia.
7. Aprendizado para se conduzir com precaução, enquanto se
estabelece uma função antecipatória, decorrente da instalação de uma
culpa-sinal no superego, moderando a impetuosidade da ad gredi.
8. Possibilidade de o paciente borderline vir a se tornar capaz de aceitar as muito reais e sérias
limitações que a vida lhe impôs, a partir, sobretudo, de seu segundo ano de
vida. Terá, então, condições de administrar as falhas físicas, psíquicas e
existenciais que o marcam, bem como de se resignar ao relativo fracasso dos
cuidados de seus pais.
9. Capacidade, dentro desse mesmo
diapasão, de renunciar às fantasias e aos ideais irrealísticos, com os quais
buscava maquiar, como perfeitas, suas relações anteriores com seus pais.
10. Aceitação de que, certamente, nunca chegará aos logros
e sucessos obtidos pelas outras pessoas, mas de que poderá realizar – e
realizar-se – no estrito campo de seu talento, de suas tendências e de seu
denodo.
11. Incremento de um conceito mais
integrado – e restaurado – de si mesmo, que é o apanágio do processo
terapêutico.
O portador de personalidade de
estruturação borderline experimenta
mais os frutos do pomar da existência que o neurótico convencional. Uma parcela
notável dos homens mais geniais tiveram estrutura borderline de personalidade e se deram bem – e nos propiciaram
surpresas e novidades.
Referências bibliográficas
1.
ALVES, Celso Levi. Organização
fronteiriça de personalidade. Belo Horizonte, 1986.
2.
BAGGIO, Marco Aurélio. Borderline:
formas não-edipianas de constituição do sujeito psíquico. Griphos, nº 6, Belo Horizonte: IEPSI, 1988.
3.
KERNBERG, Otto. Desordenes fronterizos y narcisismo
patológico. Buenos Aires: Paidós, 1979.
4. PAZ, Carlos
Alberto, PELENTO, Maria L., PAZ, Teresa Olmos de. Estructuras y/o estados fronterizos en
niños, adolescentes y adultos. 3
volumes, Buenos Aires: Nueva Visión, 1976.
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