Parte 11
PSICOTERAPIA BREVE
O cliente chega à consulta com suas
queixas, seus sintomas variegados, exibe suas manhas, demonstra seu caráter,
configurando um estilo pessoal. Relata suas angústias, confessa seus
sofrimentos. E, com algum custo, revela suas demandas.
Acolho-o bem. Coloco-o à vontade.
Mostro-me bem desarmado perante ele. Se preciso, tranqüilizo-o. Ele abre o
peito, engrena uma fala, profere um discurso, relata sua história. Eu, atento,
calado. Presença viva diante de um doloroso depoimento.
A certa altura do jogo, após cinco,
sete, dez minutos, ele faz um lançamento, diz uma impropriedade, emite um preconceito,
passa uma informação improcedente, erige um raciocínio que termina em falso
impasse.
O terapeuta entra com tudo. Mostra
isso, exagera aquilo, informa melhor, faz uma pergunta paradoxal. Mexe.
Espicaça. Instiga. Provoca.
O paciente mostra-se surpreso. Esperava
outra coisa: mão na cabeça, comiseração. Empatia com suas mágoas. Corroboração
para suas razões empacadas. Esperava silêncio. Ou esperava o que já obtivera de
outra feita, com um psicanalista.
-
Hum hum. Vamos
ver. E daí? Bem... sim... que mais? O que você acha disso? Ficamos por aqui
hoje...
O terapeuta supera a freqüente armadilha que o cliente
propõe.
-
O que o senhor
quer que eu fale?
Psicoterapeuta breve não quer nada, não quer ouvir nada
especificamente. Acolhe o que vier, do jeito que vier. Sabe que o cliente tem
obrigação de fornecer material clínico.
Vindo, então,
abundante material, o terapeuta nomeia, indica, mostra, esclarece,
informa, confronta, amplia, flexibiliza aquilo que de si o paciente explicitou.
Dá novo sentido ao relato, resignifica-o.
É de bom alvitre mostrar, de início, o lado ruim,
escabroso, terrível. Exibir as inconseqüências. Preencher as falhas de
raciocínio. Exagerar até o ridículo ou até ao absurdo as seqüências insinuadas.
Neurose é pensar pouco e mal. Por medo dos afetos. Saúde psíquica permite
pensar bem. Pensamento é ensaio de ação, é antecipação de desempenho. Portanto,
primeiro, o terapeuta deve começar a cuidar da vertente esquizoparanóide. A
esquizoidia é a mãe de toda neurose, porque embaraça as trocas relacionais
entre as pessoas. Assim, depois, todo o tempo que sobrar é suficiente para
descobrir a vertente positiva, boa, dadivosa, conveniente e vantajosa. Aí,
desponta o novo como achado pessoal criado pelo cliente. Primeiro, o aperto, a
cólica, a angústia. Depois, logo, logo, o alívio. E a solução possível achada,
criada.
Se o terapeuta interage diretamente naquilo que o paciente
traz nos primeiros minutos, cria-se uma reação de alta intensidade, em que
trocas relacionais vividas ocorrerão
impreterivelmente. Soldam-se dois materiais. A intenção do paciente de se
tratar funde-se com a intenção do terapeuta de trabalhar. Costuma dar uma boa
liga, que permite trabalhar a quente sobre a problemática engessada.
O terapeuta parte do princípio de que aquilo que o cliente
diz é verdade. Pronta, completa, acabada. Não há nada por trás disso. Não há
desejo de enganar, não há mentira nem algo oculto por detrás da fachada. Tomar
o dito do paciente como verdade simplifica as coisas e economiza meses de terapia.
Se o terapeuta leva a sério aquilo que é dito, ao pé da
letra, pode operar com isso sem rebuços. Apanhado pelo rabo da palavra, resta
ao cliente manter a fala, avançar sua história, ampliá-la e completá-la e,
assim, estará corroborando aquela verdade. Ou... ou pode o paciente cair em
contradição, perder-se procurando argumentos secundários que apoiem sua fala
inicial. Ou... ou muda logo de assunto. Isso pode ser indício de que estivera
mentindo. Não importa.
O paciente envereda para outro tema mais sério, mais
pessoal e aí mete-se todo inteiro na armadilha da terapia, que é se pôr a falar
de si próprio. Ou evolui para outro assunto mais leve, tolo, banal, dispersivo.
A sessão torna-se improdutiva, coberta por uma cortina de fumaça, indicando que
não haverá interação positiva.
De qualquer forma como o cliente se apresenta, já nos
minutos iniciais da sessão, ele está sendo acolhido, ouvido, testado,
processado e tratado. Isso permite cunhar uma primeira lei em psicoterapia
breve:
Do jeito que o
cliente vier, ele é tratado.
O psicoterapeuta breve é como uma ponta de lança de futebol
que lida, trata e chuta a bola do jeito que ela vier. É permissível chutar para
fora, desde que, de vez em quando, se marque gol.
A segunda lei da psicoterapia breve é:
Vale o vivido.
O que incomoda o paciente é sua vida. Existir neste mundo
doido é que é o incômodo.
O difícil é se dar bem ao longo de toda a existência.
- Antes era assim e assado e eu me sentia
bem. Agora, mudou algo na conjuntura, e eu me sinto mal, subjetivamente.
É a vida presente, tal como ela se dispõe para a pessoa,
aquilo que a incomoda, angustia, patologiza. O presente é o campo de batalha
onde se luta por uma definição mais razoável, onde se podem obter ganhos.
O passado tem pouco interesse em ser revolvido. Sua função
é escoltar e instruir algo acerca dos antecedentes explícitos da problemática
atual. Ganham-se anos de terapia com essa segunda lei.
Do presente, parte-se para a análise da conjuntura
existencial, buscando-se algo pertinente a vivências históricas anteriores, com
o objetivo de configurar uma compreensão para a conflitiva do cliente.
O que se objetiva é evoluir de imediato para a terceira lei
da psicoterapia breve.
- Logo, logo
adiante, você vai abrir-se para o futuro e deparar com novas possibilidades
comportamentais mais ricas emocionalmente que aquelas anteriores, que terminam
sempre em impasses.
O psicoterapeuta capaz de empreender um tratamento
abreviado tem de ter sólida formação psicoterápica. O melhor sistema de treinamento
ainda é o psicanalítico. É necessário ter longos anos de prática e experiências
diversificadas na clínica psi. O terapeuta deve ser sagaz o bastante para
discernir, com precisão e rapidez, aquele material trazido pelo paciente, que é
mobilizável e tratável, em contraponto ao que é biológico, estrutural,
cristalizado, inamovível.
Psicoterapia consiste em devolver, processado ao paciente,
aquilo que nos traz, para que ele, por
sua vez, possa ampliar e processar seus patrimônios vivenciais. Assim, expandirá
o alcance operacional de seu próprio eu, ao mesmo tempo em que reforça a
convicção de integração e de existência de seu “Eu”. Passa a sentir-se real, a
ser ele mesmo, metido na interrelação com os outros e os objetos, numa
transação interessante e enriquecedora. Sujeita a si mesmo, a pessoa pode
refugiar-se ou recolher-se para dentro de si, sempre que tem vontade.
Em terapia breve, vale o preceito sistêmico. Num dado
sistema – a mente do cliente -, qualquer pequena mudança acarretada nos
elementos que o compõem causa mudança inexorável no sistema.
Assim é que uma simples alteração, por pequena que seja,
abre o sistema, dinamiza-o e o torna permeável à possibilidade de novas
mudanças. Dessa maneira, sai-se do impasse e do ponto morto. A patologia mental
é privação de liberdade do sujeito.
O paciente adoece na medida em que os fluxos de sua vida
vão, progressivamente, estagnando-se. Configurações existenciais fechadas
aprisionam a pessoa num horizonte vivencial cada vez mais repetido e estreito.
A satisfação e o prazer de existir provêm da inteligente combinação de se
experienciar novidade, excitação, liberdade.
A neurose, como protótipo da patologia puramente mental, é
a incapacidade do sujeito de auferir privilégios acerca da própria vida.
Neurose é impossibilidade de usufruir prazer no existir. Neurose é o
embatumamento de vivências e o empacamento da transitividade da vida. O
cliente, quando nos procura, já lançou mão de todos os seus recursos para
enfrentar as exigências de sua conjuntura de vida. E já despendeu grande parte
de sua munição, obtendo pouco resultado em abater seus fantasmas
esquizoparanóides. Além disso, gastou toda a sua inteligência emocional, a
ponto de não conseguir mais levar adiante quase nenhuma situação de sua vida.
Um sujeito neurótico, embatumado, empacado é que procura
nossos serviços profissionais. Ou então é o portador de patologia pior:
psicossomática, psicótica, psicopática, borderline.
Assim, qualquer abertura que se consegue na carapaça
doentia é vital para ampliar as possibilidades de recuperação do cliente.
Qualquer tema que for sacudido, clarificado, confrontado e amplificado, será
bem vindo. Todo afeto que for mobilizado no paciente, a partir da relação com o
terapeuta, será revitalizante. Toda relação interpessoal que for estabelecida
entre a díade cliente-terapeuta, sobretudo se for arestosa, resistente,
conflituosa, é proveitosa, pois acarretará uma ligação re-humanizante.
O terapeuta capaz de empreender um procedimento breve não
abre mão da prerrogativa de ser a autoridade que conduz o processo. Assume seu
papel de especialista em assuntos humanos, sem pejo. Sabe que a neurose tem a
sedutora característica de usar mil tramóias para empacar o processo
terapêutico, alongando-o por anos.
Entrar de forma enérgica, incisiva, naquela parte mole da
aparentemente blindada problemática do paciente é tática feliz para fazer
eventrar, de vez, as suas entranhas estagnadas.
O terapeuta breve trabalha com o inconsciente. Sabe, desde
Freud, que o psiquismo funciona segundo dois registros bem destacados e, nem
por isso, menos imbricados. Só que, no caso da terapia breve, o terapeuta não
fica esperando o inconsciente pulsar a seu bel-prazer. Convoca-o ao centro da
cena terapêutica, como um médium faz, quando invoca a entidade espiritual. Na
terapia breve, o inconsciente não é algo indefinido, etéreo e caprichoso, mas é
um componente objetivável, perfeitamente configurável, disponível desde sempre
como o aspecto complementar do que foi dito. Inconsciente é o inverso do afirmado.
É simplesmente o contraposto. Ou o não dito. Ou o que foi insinuado apenas – ou
então aquilo que meramente acompanha a vivência, segundo o senso comum.
Em terapia breve, o inconsciente não é tratado como um ser
divino, um deus ex machina ou uma
obscura dimensão onipotente. Não. A essa altura de nossa prática e de nossos
conhecimentos, podemos afirmar que o inconsciente está escarrado, sempre. Ele
está permanentemente aí, dado posto, embora camuflado, implícito ou
representado por meio de uma alegoria ou um enigma.
O que importa é que não há surpresa proveniente do
inconsciente de ninguém.
Desde Shakespeare, o inconsciente do homem moderno está
descrito, funcionante, e é, sempre, previsível.
Freud deu-lhe estatuto metapsicológico muito adequado.
Melanie Klein deu-lhe ampla dimensão
fantasmática.
Lacan o descreveu como um código de escrita, uma forma de
dizer.
Winnicott o percebeu presente, em curso, ao longo do
processo do brincar e do existir.
Lidamos com o inconsciente como aquilo que é de domínio
público na cultura e que está ingenuamente omitido no discurso do paciente. Na
psicoterapia objetivada, é fundamental que o terapeuta disponha da sagacidade
do diretor de cena, convocando os elementos e os depoimentos à lucidez do
cenário terapêutico.
Assim, o terapeuta torna ágeis os elementos inconscientes
capazes de ilustrar o caso, ampliando os efeitos de informação. Dessa forma,
instrui-se o processo terapêutico favorável ao paciente.
O mandato de conduta que inspira o terapeuta objetivo é o
de utilizar todos os recursos válidos e empenhar todo o seu conhecimento a
serviço do cliente. O terapeuta é um prestador de serviços especializado, que
se deixa usar como pessoa, numa interação de alta intensidade, para causar
efeito e afetar a subjetividade do cliente. O terapeuta empresta sua cabeça
para realizar operações de alta complexidade que a mente do cliente nem de
longe suspeita existirem. O que se objetiva é obter uma decisão rápida e
valiosa, logo implemenada por atitudes consistentes, que suplantem os impasses.
Tal como um general em campo de batalha.
O que mantém o terapeuta atuante no campo, por anos e
décadas, é a satisfação de saber que seu trabalho – ainda tão pouco conhecido,
quase sempre mal remunerado – é da mais alta relevância.
Em terapia breve, não se trabalha com cura. Curam-se gripe
e infecção. Em medicina psíquica, cura-se apenas questão aguda e monotemática.
Em medicina psíquica bem como em medicina interna (clínica
médica), a maior parte da patologia deriva de interações policausais que operam
mediante complexos imbricamentos, evoluindo ao longo de um tempo crônico. A
melhor parte da patologia humana é existencial, evolve ao longo da vida. É
preciso amortecer os impactos da patologia, diminuir sua virulência e abater
sua malignidade. É necessário aprender a conviver com as doenças crônicas. A
biologia e a psique do ser humano são falíveis.
Meu samba é autópsia
De amores passados
O atestado de óbito da vida insana
E eis o meu laudo
Perito em paixão constatou:
Diante dessa insanável precariedade, o terapeuta objetivo
contrapõe a grandiosidade do pequeno milagre quase sempre disponível.
Em qualquer idade, em qualquer circunstância e apesar da pior patologia, o ser humano, desde que
cuidado, sempre pode melhorar.
Melhoras psíquicas é o que se têm como escopo. E sempre são
obtidas. Melhorar aquilo que é possível. Crescer. Ousar. Fazer. Criar. Cometer.
Vivenciar. Inovar. Sair do impasse, rompendo o formato. Indo adiante. Deixando
para trás as dificuldades e os empecilhos, muita coisa se resolve. Esta a “lei
Juscelino Kubistchek”, a 4ª lei da terapia breve.
O ser humano é um animal em prolepse, voltado para a frente
de seus olhos, olhando o futuro, os pés avançando, o torso insinuando-se
adiante. Enfim, pra frente é que se anda.
O passado foi vivido, granjeou um saldo vivencial que
expressa a experiência e a competência do sujeito. Não importa o resíduo de
coisas “não sidas”, não vividas, lá atrás. Isso é irresgatável. Ninguém
oferecerá ressarcimentos. A única possibilidade é o sujeito sair de seu
comodismo, arrancar-se de sua timidez, desentranhar-se de si mesmo e, correndo
todos os (pequenos) riscos de quebrar a cara, exercer, existir, cometer, no
futuro imediato.
Praticar o esporte predileto do neurótico, que é se queixar
e atribuir ao outro sua impossibilidade, é muito pouco eficaz, já que essa
atitude não comove ninguém suficientemente.
Aquilo que não foi vivido, desfrutado, incorporado pelo
sujeito, ao longo de seu trajeto existencial, permanece como um patrimônio de
“a-menos”, cujo montante pode acarretar déficit na avaliação que ele faz da
própria vida.
Vau da vida é a alegria. Quem tem déficit de alegrias, terá
pletora de desgostos. Decepções e vida
pobre são fracos antídotos e insuficientes contensores da dimensão pulsional disruptiva que todos
abrigamos. Pulsão de morte, objeto mau, demônio, Éris, Kirttimukha, Caim,
iauretê, facinorosidade, qualquer nome que escolhamos não é suficientemente abrangente
para expressar a tarefa incessante que temos, ao viver, para manter sob
controle o monstro medonho que nos habita. Mas é preciso aprender a retirar
forças dele para energizar aspectos e vivências positivas de vida.
Vau da vida é coragem. Coragem é energia empregada para
desfechar o poderio do instrumento que possuímos – a espada – para cortar e
desfazer os (falsos) impasses com os quais a neurose nos aprisiona.
Ser terapeuta breve é ser capaz de manter a alegria e o bom
humor ao longo das horas de trabalho. É ter coragem de decepar sem dó o cipoal
em que se mete, gozosamente, o cliente. O que se quer é resgatá-lo, todo
inteiro, na plenitude de sua pequenez e na amplidão de sua insuficiência.
Somente a partir daí, da honesta e humilde verificação de
que é precário, o neurótico readquire humanidade. E é da relação com o outro,
mãe devotada suficientemente boa – terapeuta empenhado devidamente competente –
que o indivíduo pelado, desneurotificado, pode vir a ter chances de retomar sua
evolução pessoal e voltar a percorrer seu desenvolvimento afetivo na condição
de ser humano. Mãe e terapeuta são figuras, mais que isso, são funções fiadoras
e zelosas imprescindíveis para a evolução psíquica da pessoa.
Em terapia breve, sabe-se despudoradamente que o que cura,
o que acresce e melhora o outro é a relação humana.
Por isso, o terapeuta breve conhece dezenas de teorias,
domina dúzias de técnicas e, certamente, já abandonou todas. Forjou sua técnica
pessoal, própria, que o faz operar com o mínimo de desgaste e o máximo de
efeito terapêutico, beneficiando seu felizardo cliente. De há muito abandonou
práticas ortodoxas que fazem apologia do método, para adotar uma postura de
pura epistemologia clínica. Vale o caso, vale o resultado positivo, vale a
valiosa relação entre custo e benefício, vale sobretudo a eficácia empírica de
sua prática. Sabe que a clínica se faz de casuística, de casos particulares,
inusitados. Não há generalidades ou ciência da clínica. O que há é excelência,
qualidade, superioridade de atuação na clínica psíquica. Vale o que tem valor.
Clínica é arte em exercício.
Aprender a viver é a terapia que interessa. A terapia breve
objetiva propiciar ao cliente uma nova visão acerca de si mesmo. Em decorrência
disso, baseado na ampliação de conhecimentos sobre valores relevantes de sua
vida, o cliente tem oportunidade de fazer novas escolhas, estabelecendo novas
relações de objeto. Dessa forma, enriquece-se, com ampliação de repertório de
experiências e de vivências pessoais.
Numa terapia breve, há algumas etapas que devem ser
observadas:
· acolhimento do
cliente;
· elaboração do
diagnóstico;
· proposta de
tratamento;
· planificação do
tratamento;
· focalização em
problemáticas permeáveis;
· flexibilização de atitudes e de objetivos;
· manutenção da iniciativa pessoal do terapeuta;
· manutenção da iniciativa pessoal do terapeuta;
· intervenções:
- esclarecimentos;
- assinalamentos;
- ampliações;
- confrontações;
- interpretações;
- elaboração por parte do
cliente;
- tomada de atitude;
- mudança de postura;
- resolução de problemática;
- surgimento de outra questão.
É o paciente quem autoriza a deslanchar a terapia. Certos
pacientes têm especial talento
terapêutico para melhorar. Outros nem tanto. Alguns não toleram melhorar.
Com suas atitudes e com o tipo de material trazido, o
paciente nos esclarece o grau de envolvimento psicoterápico que suporta ou que
quer. É comum o paciente se desapartar do terapeuta, assim que recebe material
demais para processar. A maioria dos clientes não recebe dez por cento da
capacidade operativa do psicoterapeuta. Este tem por norma não forçar. Também
não usa dubiedade, meias-palavras, eufemismos ou ambigüidades.
O terapeuta objetivo, capaz de operar terapia breve, é um
virtuose na profissão, que se manteve curioso e inovador. Estudioso da
literatura especializada, descobriu que a maior fonte de ensinamentos sobre o
ser humano e a sua natureza específica provém antes da história, dos
conhecimentos da tradição, esotéricos ou não, e, sobretudo, do fruto da
imaginação de mentes poderosas, que são os literatos. Na praça onde confluem
esses tributários que se entremesclam com as notícias da mídia de hoje, com as vivências
pessoais confrontadas com aquilo com que se trabalha cotidianamente na clínica,
forja-se uma nova prática, clínica e eficaz, que surge como depoimento de
verdade dotada de boa qualidade.
Psicoterapia breve, portanto, é o exercício da arte do terapeuta
em curso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário